
Apontada como ‘laranja’ do maior esquema de desvio de dinheiro público já descoberto no Maranhão, a agente de trânsito Alexandra Oliveira Sousa, que atualmente é secretária particular da prefeita Irlahi Linhares, pode ter sido vítima de uma fraude sem saber. É o que descobriu hoje com exclusividade o blog do Wallace Braga.

Conforme revelamos na semana passada, Alexandra é uma das rosarienses que integram o quadro de sócios da Cooperativa Maranhense de Trabalho e Prestação de Serviços (Coopmar). No entanto, ela só descobriu que era ‘sócia’ e uma das 20 ‘fundadoras’ da organização depois que o blog publicou os documentos.

Segundo apuramos, a secretária particular da prefeita rosariense teria declinado a uma de suas amigas, que não descarta acionar a Coopmar na justiça para requerer sua parte que é devida na sociedade. “Eu realmente fui usada como ‘laranja’, porque eu não ficava com esses lucros, eu não ganhava nenhuma comissão’’, declarou ela numa conversa da qual a fonte presenciou.
Alexandra Sousa chegou a revelar ainda que acredita ter sido vítima de fraude por parte do vereador de Rosário, Sandro Marinho. Ela conta que o parlamentar a procurou para convencer a assinar uma inscrição num partido politico, mas só hoje descobriu que sua assinatura serviu, na verdade, para fundar a cooperativa.
“Eu pensei que a ata em que eu assinei se tratava de um ato de filiação partidária, mas só hoje descobrir que era na verdade a fundação de uma cooperativa. Não ganhei nada com isso. Fui usada e estou disposta a buscar a justiça para exigir a minha parte. Se fui sócia, eu também teria direito aos lucros”, completou Alexandra, ao revelar para uma de suas amigas, como o vereador Sandro a usou de forma indevida.
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UMA SÓCIA LARANJA
Documentos obtidos pelo blog mostram que a secretária particular da prefeita Irlahi Linhares aparece com uma das fundadoras da Coopemar em abril de 2013, com uma cota de R$ 500 (quinhentos reais). Neste período, segundo as informações, foram iniciadas as investigações contra a cooperativa, sendo que três anos depois, acabou motivando prisões e apreensões na capital e no interior.


Mesmo sem saber, Alexandra acabou sendo convencida a repassar suas cotas na empresa para um cooperado identificado por Marcelo Antônio Muniz Medeiros. Em 2016, logo após a Operação Cooperare, pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Coopemar virou Cooperativa Líder de Trabalho em Apoio as Administrações Públicas Municipais (Lidercoop) e entrou em processo de liquidação, etapa que visa à finalização dos negócios, como o pagamento de dívidas, a cobrança de devedores e a partilha.

NOVAS REVELAÇÕES
O que chama a atenção é a quantidade de sócios rosarienses nesse esquema. Mas nem todos constam na lista de fundadores. Existem uns que trabalham nos bastidores e outros que receberam poderes para representar a Coopemar em transações financeiras. Um deles é Arthur Costa Gomes. Ele teria ligações familiares com a secretária-adjunta Municipal de Educação, Ana Rita Aragão Abreu.
O blog conta os detalhes dessa história na próxima matéria.
