Solteirões do Forró e Dorgival Dantas são investigados pela PF

A sonegação fiscal foi descoberta a partir da diferença entre o valor declarado pelas bandas e o cachê pago em shows que tinham prefeituras municipais como contratantes, já que estas discriminavam o valor real em documentos oficiais. Informações sobre o cachê das bandas fornecidas pela imprensa também colaboraram para a investigação.

“O que causou estranheza é o que é divulgado e o que efetivamente vai para o papel, para a declaração. Quando você cruza a quantidade de shows que é realizada por ano com o valor que eles cobram por cachê, a gente vê que é totalmente díspare do que eles informam oficialmente à Receita Federal. É uma diferença enorme”, afirmou a delegada da Polícia Federal que conduziu a operação por dois anos, Doralucia Oliveira de Souza.

Maioria do lucro estava em ‘mundo clandestino’, segundo a Receita Federal. Além dos cachês dos shows, outros valores também eram omitidos pelas bandas de forró e pela empresa que controla esses grupos. A reportagem apurou que a A3 Entretenimento é a empresa investigada nessa primeira fase da operação e que Aviões do Forró e Solteirões do Forró, o cantor Dorgival Dantas estão envolvidas no esquema fraudulento.

“Existem dois caminhos. Um mundo oficial e um mundo clandestino, subterrâneo. A parte formal dessas empresas representa em torno de 20% do que efetivamente circulava de dinheiro. A grande parte dos recursos circulava em espécie, e isso demonstra claramente a tentativa de se evadir da tributação, o que apresenta indícios de lavagem de dinheiro”, reforçou o Auditor Fiscal e Superintendente da Receita Federal no Ceará, Piauí e Maranhão, João Batista Barros. Segundo Doralucia Souza, a operação “For All” continuará e irá abranger outras empresas e outras bandas no Ceará.

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