A Polícia Federal realiza desde o início desta manhã (4) a 24ª fase da Operação Lava Jato nas residências do ex-presidente Lula, de seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e também no Instituto Lula e na sede da Odebrecht. Além da busca e apreensão de documentos, Lula é alvo de mandado de condução coercitiva (quando o acusado é levado pelos policiais para depor).

Batizada de Aletheia, palavra grega que remete a verdade e revelação do que está oculto, a nova fase da Lava Jato investiga se o pecuarista José Carlos Bumlai, preso desde novembro, e empreiteiras beneficiaram o ex-presidente por meio do sítio em Atibaia e do triplex no Guarujá. Entre os crimes investigados, estão corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras.
Os policiais chegaram à casa de Lula, em São Bernardo, e de Lulinha, no bairro de Moema, na capital paulista às 6h. A ação foi autorizada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela condução da Lava Jato na Justiça Federal. Também há agentes na sede do Instituto Lula e na Odebrecht, no bairro de Pinheiros. Em todo o país, 200 agentes da PF e 30 auditores da Receita Federal cumprem44 mandados judiciais (33 de busca e apreensão e 11 condução coercitiva) em três estados: além de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A nova fase da Lava Jato ocorre um dia após a revelação do depoimento do ex-líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS) em que ele, segundo a revista IstoÉ, afirma que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff tinham conhecimento de irregularidades na Petrobras e tentaram interferir nas investigações da Lava Jato. Conforme apurou o Congresso em Foco, os anexos reproduzidos pela revista foram escritos pelos advogados de Delcídio, na tentativa de convencer o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça a aceitar sua delação. Para que o depoimento de Delcídio tenha validade jurídica, porém, ele precisa ser aceito pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o que ainda não ocorreu.
