
Nem só de narcotráfico, comércio de substâncias consideradas ilícitas, resume-se a lista de crimes atribuídos ao deputado estadual Hemetério Weba Filho (PV), segundo dados do JurisConsult, sistema responsável pelo processamento de todas as consultas processuais públicas disponíveis na Internet do Poder Judiciário do Maranhão.
Levantamento realizado pelo blog junto ao JurisConsult aponta que o parlamentar tem nas costas uma extensa lista de processos, condenações e investigações judiciais, eleitorais, policiais, dentre outros. A ficha corrida sai da primeira instância da Justiça Estadual, passa pela Justiça Eleitoral e, encerra na Justiça Federal. Além disso, a demora em julgar alguns casos coloca Weba como réu em outras ações judicias propostas pelo Ministério Público no período em que ainda era prefeito de Nova Olinda – MA, cidade na região noroeste do Maranhão. Alguns dos processos estão em fase de recurso.
Os dados apurados no sistema de consultas processuais mostram que além dos processos por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, o deputado estaria envolvido ainda com outros atos ilícitos, como quatro assassinatos na região de Nova Olinda e Santa Luzia do Paruá, agiotagem e até roubo qualificado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e formação de quadrilha. No processo de roubo qualificado oriundo de inquérito policial remetido ao Poder Judiciário Maranhense pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ/PI), Hemetério Weba foi investigado com outro velho conhecido da justiça maranhense: o empresário Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, um dos 12 acusados de envolvimento no assassinato do jornalista Décio Sá, em abril de 2012.

O deputado maranhense só não foi julgado por roubo qualificado porque na época tinha o foro privilegiado por exercer mandato de prefeito. Além dele, outros dois gestores públicos também foram apontados como integrantes da quadrilha: José Augusto Sousa Veloso, ex-prefeito de Boa Vista do Maranhão e Francimar Marculino da Silva, ex-prefeito de Governador Newton Belo, conforme cópia do trecho do processo em anexo.
PRISÃO NA CPI DO NARCOTRÁFICO – Não é a primeira vez que Weba é suspeito de integrar quadrilha ligada ao crime organizado. No dia 27 de Outubro de 1999, o parlamentar chegou a ter sua prisão temporária decretada por 30 dias, depois de prestar depoimento para os deputados federais integrantes da CPI do Narcotráfico, em São Luís. Naquele ano, a CPI fez uma acareação entre Weba e o ex-funcionário público Messias Vital, que disse ter presenciado por cinco vezes, entre 96 e 97, o avião monomotor do deputado [na época prefeito] pousar na rodovia BR-316, em Nova Olinda, carregado com pacotes “de pó branco prensado”.
Houve acareação também entre Weba e os suspeitos de participar de grupos criminosos do interior do Maranhão. Jorge Meres de Almeida, José João Soares e o ex-sargento da Polícia Militar Antônio Lisboa Corrêa, que chegaram a ser presos, acusaram Weba de envolvimento com o crime organizado. “Estou sendo acusado por bandidos. Isso é uma injustiça”, disse Weba, que não foi reeleito após seu primeiro mandado na Assembleia Legislativa (95-99), conforme arquivo do jornal Folha de São Paulo.
Weba disse à CPI que fazia uso pessoal do avião Corisco prefixo PT-NKZ para se deslocar de São Luís a Santa Luzia do Paruá. Disse que os planos de voo eram repassados ao DAC (Departamento de Aviação Civil da Aeronáutica), mas “nem sempre”. “Errei algumas vezes, reconheço.” A pista de pouso que Weba dizia usar em Santa Luzia do Paruá era clandestina, sem a homologação do DAC, segundo apurou a CPI naquele período.
LIGAÇÕES PERIGOSAS – Dezessete anos depois, os ventos da pistolagem e do crime voltam a soprar sob o céu do estado e mais uma vez colocam o deputado no centro da suspeita. O inquérito instaurado pela Policia Civil do Piauí apontando Weba e Júnior Bolinha como receptadores e integrantes de quadrilha, pode reviver casos de pistolagem e crime organizado vividos no Maranhão nos anos de 1999 e 2000.

QUEM É BOLINHA? Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, é um dos 12 acusados de envolvimento no assassinato do jornalista Décio Sá. Segundo o inquérito policial, ele teria intermediado a contratação do pistoleiro Jhonathan de Sousa Silva pelos mandantes Gláucio Alencar e seu pai, José Miranda. De acordo com a polícia, o jornalista teria sido morto após ter publicado no blog postagem sobre o assassinato do empresário Fábio Brasil, ocorrida em Teresina, no Piauí, justamente no estado onde Weba e Bolinha foram investigados por roubo qualificado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e formação de quadrilha.
MAIS SUSPEITAS – Na próxima semana, o blog vai mostrar as estratégias que o deputado resolveu fazer para se livrar de alguns processos na Justiça. Uma delas, passa pela nomeação do irmão de uma desembargadora em seu gabinete. O funcionário nomeado, inclusive, foi citado algumas vezes no relatório da CPI do Narcotráfico. Com informações Antônio Martins.
