Patrimônio de vereador rosariense reforça suspeitas de lavagem de golpes em idosos

Esposa do parlamentar já foi presa por se “oferecer” a ajudar os idosos e ficar com os cartões das vítimas. Casal também é suspeito de esquema de fraude previdenciária

Desde o final do mês passado, o blog do Wallace Braga vem mostrando casos de corrupção envolvendo o vereador de Rosário, Sandro Marinho (PDT). O problema é que o parlamentar não é o único na Câmara Municipal que envergonham os eleitores que votaram neles. Outro que joga a imagem do parlamento rosariense na lama é o vereador Carlos Alberto Serra da Costa, conhecido pela alcunha de Carlos do Remédio (PCdoB), eleito para o segundo mandato, em 2016, com 848 votos.


O blog apurou que o vereador rosariense teve uma evolução patrimonial incompatível com sua atividade. Quando entrou na política, em 2008, o parlamentar declarou ter apenas uma moto avaliada R$ 5 mil em dinheiro atual. Nessa época, sua ocupação declarada era “estudante, bolsista, estagiário e assemelhados”.


Quatro anos depois, em 2012, Carlos do Remédio, que havia declarado ser um simples “motorista particular”, teve uma evolução patrimonial gigantesca, declarando à Justiça Eleitoral bens em torno de R$ 79 mil. Em 2016, o valor do patrimônio ficou em R$ 50 mil.

Carlos do Remédio é casado com a estelionatária Raquel Marvão da Costa, presa no dia 05 de março de 2010, acusada de aplicar golpes em idosos que tinham dificuldades para utilizar os caixas eletrônicos dos bancos.

Carlos do Remédio é casado com a estelionatária Raquel Marvão da Costa,
Carlos do Remédio é casado com a estelionatária Raquel Marvão da Costa

Na época da prisão, a delegada da Regional de Rosário, Maria de Jesus, explicou como Raquel Marvão praticava o crime. Segundo a delegada, a estelionatária se “oferecia” a ajudar os idosos e acabava tomando posse dos cartões das vítimas. De posse dos cartões, a criminosa ia às compras.

“Várias denúncias chegaram até nós. Então, com base nestes depoimentos das vítimas, nós pedimos a prisão preventiva dela [Raquel] e foi expedido o mandado e ela foi presa. A Raquel se oferecia para ajudar os idosos e pessoas humildes sem conhecimento em trabalhar em caixas eletrônicos e, com isso, ela ficava com os cartões. Ela fazia compras. Ela abusava mesmo das vítimas”, explicou.

A golpista não ficou muito tempo presa. Ela teve a prisão preventiva revogada no mês de maio daquele ano, por um habeas corpus concedido pelo desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, através de pedido do advogado Rodrigo José Aires Almeida, na 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

GOLPES MULTIPLICAM PATRIMÔNIO
Por conta do caso que virou até notícia nacional, com destaques em jornais como O Globo, existe fortes indícios de que o vereador rosariense tenha utilizado os bens registrados em seu nome para lavar o dinheiro amealhado dos golpes em idosos praticados por sua esposa.

Por conta do caso que virou até notícia nacional, com destaques em jornais como O Globo
Por conta do caso que virou até notícia nacional, com destaques em jornais como O Globo

Entre os imóveis adquiridos pela família nos últimos dez anos, está uma casa localizada na Rua Câmara Lima, número 1891, no Bairro Paraiso, em Rosário. O imóvel está avaliado em R$ 40 mil. Além dos bens, documento da Receita Federal com base em dados de 2008 a 2014 mostra que a movimentação financeira de Remédio foi superior aos rendimentos declarados, segundo os critérios do Coaf (Ministério da Fazenda).

OSTENTAÇÃO NAS REDES
A ostentação para amigos e familiares nas redes sociais, com um padrão de vida incompatível, também reforçam as suspeitas. É que além dos bens, existem suspeitas de lavagem de dinheiro dos golpes com viagens. Nas redes sociais, o casal costuma postar fotos de viagens para hotéis de luxo.

O blog analisa uma denúncia sigilosa que aponta indícios de um suposto envolvimento do casal com um esquema de fraudes previdenciárias. O blog conta os detalhes desse assunto na próxima matéria.

COMPRA DE VOTOS NA CÂMARA
Além do envolvimento de vereadores com organização criminosa e golpes em idosos, o próprio presidente da Câmara, Luiz Carlos Barros de Oliveira, o Kiko (MDB), pode ser denunciado ao Ministério Público por compra de votos na eleição da Mesa Diretora.

Para colocar o plano em prática, Kiko teria recebido um financiamento de um agiota com atuação na Central de Abastecimento do Maranhão (Ceasa), localizada na Avenida Jerônimo de Albuquerque, no Cohafuma, em São Luís.

O vereador Luis Carlos, o Kiko
O vereador Luis Carlos, o Kiko

Um dos os indícios da ‘compra’ de votos é a ostentação das viagens de alguns vereadores nas redes sociais. O exibicionismo dos parlamentares com suas esposas reforça a tese de um mega esquema que tem como cabeça o chefe do legislativo rosariense. O caso é grave e pode motivar o afastamento dos parlamentares envolvidos, mas esse é outro caso que iremos abordar na próxima postagem.

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