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Sem maternidade, há 20 anos não se pode nascer em Bacabeira

Isaías Rocha – Se o plebiscito que definiu a emancipação de Bacabeira fosse realizado hoje, uma parcela da população da cidade certamente pensaria duas vezes antes de optar pelo “sim”. Passados quase 20 anos da instalação oficial do município, a promessa de que a emancipação do antigo distrito pudesse levar ao desenvolvimento da região não foi comprovada, já que a população bacabeirense ainda enfrenta dificuldades que vêm desde o tempo em que era apenas um distrito. Perda de população, alta dependência em relação a municípios vizinhos e problemas estruturais são realidade no município “caçula” da região do Munim.

Quem chega de carro a Bacabeira tem a sensação de estar em um bairro de uma cidade um pouco maior. Há poucos investimentos por parte da Prefeitura, e é baixo o número de estabelecimentos comerciais. A fonte de renda da população geralmente se concentra em empregos no poder público ou na agricultura e pesca.

REFLEXÃO DE ANIVERSÁRIO
Na última segunda-feira, 10 de novembro, moradores celebraram os 20 anos da cidade.  A data foi também momento de reflexão sobre os problemas do município principalmente na área de saúde. De todos os problemas que existe no lugar, o mais grave é o grau de dependência em relação a municípios vizinhos. Em Bacabeira (localizado a 60 quilômetros de São Luís), por exemplo, não há hospital, nem maternidade. Por isso os moradores devem recorrer às cidades de Rosário e Santa Rita, quando precisam de algum procedimento médico.

A estudante Elizangela Diniz Abreu, 30, buscou atendimento para a filha de 9 anos, mas não havia pediatra no posto de saúde da cidade.  “O descaso é total, passei dois dias e não havia um pediatra. O único médico de plantão não tinha capacidade de amenizar os sintomas e dores da minha pequena, fiquei revoltada, e tive que procurar atendimento em Rosário”, disse Elizangela.

A estudante também lembrou de outros problemas existentes na cidade. “Não temos um sistema de saúde digno, não temos atendimento humanizado, faltam pediatras, ginecologistas, ortopedistas. Sofro em ver as pessoas que não tem condições nenhuma de ir a municípios vizinhos para buscar atendimento, nossos governantes tem plano de saúde e não vão pra fila do SUS”, falou.

MUNICÍPIO ‘EXPORTA’ NATIVOS
O sonho da técnica de Enfermagem, Luzilene Bogea, 35 anos, era que sua neta fosse bacabeirense.  Moradora do município localizado a 60 quilômetros de São Luís, ela vê sua história se repetindo com cada mulher que engravida na cidade.

“Em Bacabeira, não nasce ninguém. Aqui, não tem maternidade, nem hospital. Muitas mães sofrem com isso, porque precisam pegar a estrada e ganhar o bebê em Santa Rita, Rosário ou na Capital”, reclama. Ela tem uma filha santa-ritense. O drama como o de Luzilene também é vivido por mães outras da cidade.

Foi assim que aconteceu com a filha dela, Larissa Bogea, 19 anos, no mês de julho. “Ela estava com quatro dedos de dilatação, e a ambulância levou ela em trabalho de parto para Rosário. Foi muito difícil lidar com o medo do neném nascer no caminho”. A angústia durou os 15 minutos do percurso do posto de saúde de Bacabeira até a Clínica Nossa Senhora do Rosário, na cidade rosariense.

OS GRAVES PROBLEMAS
As obras que deveriam ser entregues no aniversario da cidade, não existem! Os empreendimentos que foram inaugurados foram construídos pelo Governo do Estado ou por empresas que se instalaram no município.

Outro problema citado pelos bacabeirenses é a infraestrutura. A universitária Daniele Lima, 25, relatou a situação. “Algumas ruas já estão asfaltadas ou calçadas, mas ainda precisa melhorar muito, porque há muitas vias esburacadas e acidentes acontecem por conta disso”, disse.

A violência, motivada pelo alto e desenfreado tráfico de drogas, é outro grave problema no município. Assassinatos e assaltos acontecem dia e noite em níveis assustadores, nunca antes visto no antigo distrito tranquilo. Agora, até nos povoados existe assalto, se duvidar, eles [os bandidos] invadem até as igrejas na hora do culto.

A educação amarga indicadores alarmantes, precisaria de uma reportagem especial para falar só dos problemas educacionais de Bacabeira. A falta de d’água atormenta a população em praticamente todas as localidades. O desemprego está levando os moradores para outros Estados, especialmente, para Mato Grosso.

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EMANCIPAÇÃO SEM EFEITOS POSITIVOS
O vendedor Luiz Carlos Ribeiro, 40, diz que se arrepende até hoje do dia em que acreditou que o então distrito de Bacabeira seria promissor. “Tinha que ter ficado em Rosário, onde morava. Mas decidi 25 anos atrás vir para cá tentar melhorar minha vida. E não melhorou nada”, relata. Há aproximadamente 20 anos, ele ainda mantinha esperanças de que a situação ia ser diferente. Por isso, quando foi realizado o plebiscito para decidir se Bacabeira deixaria de ser um distrito para se tornar município, seu voto foi favorável. Hoje, Luiz teria outra opção. “O que adiantou se tornar município? Melhorou pouca coisa. A gente ainda continua no abandono. A cidade evolui, mas a população ainda não foi beneficiada com esse resultado. As dificuldades são quase as mesmas de quando era distrito”, ressalta.

A ROUBALHEIRA
Enquanto falta emprego, saúde e educação; sobra corrupção. Na gestão do prefeito Alan Linhares (PTB) acontece de tudo. Seus principais doadores da campanha nas eleições de 2012 começam a faturar alto nos negócios com a Prefeitura de Bacabeira.

Levantamento realizado pela reportagem, com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Extratos de Contratos publicados no Diário Oficial do Estado (DOE), confirma que as empresas que mais colaboraram com a eleição do petebista têm mantido transações lucrativas com órgãos da administração direta do Município. Somente nos 13 meses de mandato, dois dos financiadores de campanha de Linhares já contabilizam juntos uma receita de mais de R$ 1 milhão de reais nas negociações com o governo.

Detalhes das prestações de contas apontam, por exemplo, a empresa Joel M da Silva Comercio – ME [Restaurante Serv Bem], como um dos financiadores de Alan. No dia 27 de setembro de 2012, a empresa fez doações no valor de R$ 18.000,00, e depois doou mais R$ 530, no dia 05 de outubro do mesmo ano.

No entanto, em 2013, o lucro do Serv Bem em negócios com a prefeitura, é de vinte vezes mais. Conforme documentos em anexo, após as eleições de 2012, o restaurante já faturou, em contratos com o Município, pelos menos R$ 510.750,00. No dia 03 de junho do ano passado, a empresa foi contratada pela Prefeitura a fornecer quentinhas e lanches para atender atividades e eventos das Secretarias.

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OUTROS FATURAMENTOS
O empresário Domingos dos Santos Ferreira é outro que vem faturando alto após as eleições do ano passado. Ele que é proprietário da empresa D. dos Santos Ferreira-EPP, fechou com a Prefeitura para prestar serviços técnicos especializados de assessoria contábil e administrativa para os órgãos da administração.

O contrato assinado, no dia 29 de janeiro de 2013, soma o valor de R$ 334.297,60. Curioso é que o proprietário da empresa aparece como doador de campanha do prefeito Alan Linhares, com sete depósitos em espécie. A primeira doação em deposito foi efetuada no dia 30 de agosto de 2012, no valor de R$ 20 mil; a segunda, no dia 03 de setembro, no valor de R$ 5.622; a terceira de R$ 10 mil, no dia 11 de setembro; a quarta no valor de R$ 17.500, no dia 05 de setembro; a quinta no valor de R$ 10 mil, no dia 14 de setembro, a sexta, também no mesmo mês de setembro, no valor de R$ 20 mil e a sétima doação no valor de R$ 21.500, efetuada no dia 25 de outubro do mesmo ano Juntas, as doações totalizam R$ 104.622. O valor do contrato representa quase três vezes o que foi investido pela empresa na campanha do prefeito.

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ACUSAÇÃO DE COMPRA DE VOTO
Como se não bastasse os problemas que a cidade enfrenta, o prefeito Alan Linhares, que está com o mandato ‘sub judice’, está sendo acusado de crime eleitoral. Uma representação que pede a sua cassação; do vice-prefeito, José Benedito (PSDB) e dos vereadores Dino Petronilo (PPS), Luís Vilaça (PP) e Romualdo (PTB), está esperando parecer da Procuradoria Eleitoral para somente depois ter uma decisão por parte do relator, o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão, desembargador Antônio Guerreiro Júnior.

Protocolada no dia 17 de dezembro de 2012, em nome da coligação “Bacabeira União de Todos Nós”, a representação se baseia nas denúncias de compra de votos na campanha petebista do ano retrasado em Bacabeira. O processo está com o procurador regional eleitoral Marcílio Nunes Medeiros desde o dia 28 de agosto.

A coligação “Bacabeira União de Todos Nós”, que teve como candidato a prefeito, José Reinaldo Calvet, substituído na disputa por sua esposa, Olga Calvet (PV), juntou à representação várias cópias de bilhetes em papel timbrado da Prefeitura bacabeirense, com uma ordem inusitada dada pelo ex-secretário Municipal de Finanças, Werbeth Pinheiro, dando a idéia precisa da corrupção deslavada que impera naquele município.

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